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O Corsário e a Ciência

Textos de divulgação científica e reflexões sobre Ecologia da Saúde, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista:

O Corsário e a Ciência

Textos de divulgação científica e reflexões sobre Ecologia da Saúde, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista:

28.07.17

O fim da sua bolsa, da ciência brasileira, seu silêncio e um velho reclamão


Sérvio Pontes Ribeiro

Só uma coisa é pior que papo de velho dizendo o que fez na época dele e que a juventude de hoje não faz nada igual: perceber que este velho agora é você. No entanto, preciso sustenta-lo diante de meus alunos e ex-alunos, muitos já procurando empregos em ciência em outro País. Em 2001, 500, apenas 500, recém doutores desempregados enfrentaram a política de não concurso e baixo investimento na ciência do FHC. Com um abaixo assinado entregue nas mãos do Ministro da Educação (cujo nome não deve ser mencionado), em uma cerimônia de premiação, e com uma correspondência na Nature, conseguimos reverter este quadro, e o CNPq teve fôlego para criar o PROFIX (de certa forma, o programa mãe do PNPD) e em 2002 os concursos nas Federais foram reabertos.

 

Era um Presidente eleito, com feitos positivos e negativos, mas um Presidente ELEITO, e éramos só 500. Não existia redes sociais e todos os debates aconteceram apadrinhados pelo Jornal online da Ciência Hoje, que chegava pelo email, e que publicava nossos textos e réplicas. O número de doutores formados desde 2002 aumentou 400%, e a repatriação de cérebros foi notável, embora ainda vivamos quase que um apagão científico por sermos tão poucos para um País deste tamanho e com esta complexidade. Este é meu ponto: TEMOS MUITO PARA CRESCER E NÃO PODEMOS ENCOLHER AGORA!

 

A ciência pode ter mais força do que imaginam, ainda mais com o volume de doutores jovens que hoje temos no mercado, a maioria subempregados! Acomodarem em poucas verbas, ok, mas estão diante da possibilidade de cortes absolutos das bolsas TODAS do CNPq, e vamos assistir calados, caçando emprego fora e virando as costas para o País que investiu na sua permanência aqui? Pior, virando as costas para a melhor chance que poderia ter de um futuro promissor como cientista, se a política certa for imposta à Brasília por pressão nossa!?

 

O Brasil é um dos últimos lugares no mundo com real potencial para expansão científica, para criar inovação e empregos em ciência, mesmo que os obtusos que nos comandam agora não vejam isto. Cabe a você fazer que vejam, reagir e lutar contra este cenário fictício atual. Não me entendam mal, eu poderia ter ido embora também, mas não seria justo com o Brasil, mas seria menos justo comigo. Fiz uma carreira (para mim, para minha satisfação, sei que poderia ter feito muito mais) cheia de feitos e conquistas que lá fora eu não conseguiria. Me orgulho mais do que fiz aqui, da brasileirada que fiz confiar na ciência e no progresso e que hoje são meus colegas. Não quero que desacreditem, vai me partir o coração e uma vida inteira dedicada a isto. Eu queria que brigassem pelo que eu, e tanta gente, fizemos para vocês acreditarem