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O Corsário e a Ciência

Textos de divulgação científica e reflexões sobre Ecologia da Saúde, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista:

O Corsário e a Ciência

Textos de divulgação científica e reflexões sobre Ecologia da Saúde, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista:

15.09.15

A ciência de hoje no Brasil


Sérvio Pontes Ribeiro

Sentei para tomar um café no velho pátio do ICEB, onde em 2000 era a cantina, e onde eu sentava, professor substituto, preocupado. Embaixo daquela mesma árvore comecei a pensar o artigo da Nature sobre a falta de emprego para cientistas e professores universitários no Brasil, que depois achei companheiros para escrever, e que desde ontem voltou a ser citado.

 

Agora tudo é um pouco diferente, mas talvez outro artigo coubesse, já que passou-se 15 anos e a proporção de brasileiros com doutorado não melhorou (crescemos na taxa da população, portanto não superamos as deficiências e não migramos – do ponto de vista de volume de pessoas e da enorme demanda regional - para o Oeste e Norte). Porém, melhoramos e é nisto que habita o aspecto mais cruel disto tudo.

 

Hoje, quem eu formei em 2008 na graduação já são melhores doutores do que eu, e melhores do que os que formei em 2000, e que já são doutores faz uma década!

 

Hoje, não abrir concurso (especialmente doloroso na ciência e universidades, mas é válido para todo o serviço público federal – que urge por competência) é retardar a melhoria de todo o país, pois é negar oportunidade aos melhores.

 

Hoje, em ciência e educação, a juventude vale muito mais que a experiência. Mas hoje, um salário pouco promissor meu, será o desânimo mesmo de quem poderia entrar no sistema por concurso.

 

Ontem, o Governo brasileiro optou por ceder suas melhores mentes e mais caros profissionais para os países que pagarem mais e oferecerem melhores condições.

 

Hoje, o interesse de países já desenvolvidos e ricos, ou de quem quer desenvolver mais rápido, venceu o Brasil, e num gesto que soa como de curto prazo para gerar uma economia temporária, mas que na verdade nos condena ao atraso histórico que acreditei ter acabado.

 

Hoje entendo que quem manda no Brasil é um mundo ao qual nossos governantes obedecem, e que nossas chances são pequenas janelas que o vento planetário insiste em fechar assim que as abrimos.

 

Meses atrás quase perdi um amigo batendo boca numa forte defesa à pesquisa brasileira. Hoje entendo que defendia meus desejos mais que a realidade. Hoje esta amizade vale mais que a farsa que criei para mim mesmo.

 

Hoje eu estou tendo enormes dificuldades de ser a empolgação que os alunos que do curso que eu coordeno precisam que eu seja.

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