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O Corsário e a Ciência

Textos de divulgação científica e reflexões livres, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista: uma análise sociobiológica aplicada ao dia a dia, senão meras divagações sobre as políticas científicas do Brasil!

O Corsário e a Ciência

Textos de divulgação científica e reflexões livres, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista: uma análise sociobiológica aplicada ao dia a dia, senão meras divagações sobre as políticas científicas do Brasil!

02.05.15

A adolescência da Biologia brasileira precisa acabar


Sérvio Pontes Ribeiro

Acho que porque somos tão novos no mundo e no Brasil, temos atitudes tão estranhas quanto a nós mesmos. Não demos força ao Sindicato quanto foi criado, não cobramos uma postura moral e mais ativa dos Conselhos, não processamos mal empregadores, e não sabemos fazer negócios (o que pouca gente sabe no Brasil, mesmo em outras carreiras). Pior? Sim, nos envolvemos em iniciativas altamente corporativistas e protecionistas em todas as áreas de atuação, distantes da academia e dos avanços da ciência: quão mais distantes, mais protecionistas. Deste mundinho sem regras claras, nasce a fragilidade do biólogo, do seu parecer e de seu papel e respeito na sociedade.

Falta entre nós lideranças autenticas fora da Academia, que tenham investido sua carreira em administração ou gestão de recursos humanos e que atue no real apoio ao profissionalismo do biólogo, no trabalho da construção moral de seus limites, deveres e direitos.

Hoje é mais fácil vermos no lugar da gestão das competência uma prática imoral: a gestão com base na exploração abusiva dos juniores, na desvalorização dos resultados mais complexos, polêmicos, ou capazes de mudar rumos dos projetos dos clientes. Uma não atuação do biólogo que os Conselhos tinham a obrigação de coibir e não fazem.

Falta um grupo que delimite salário e valores de serviços, e de preço para pessoas, que nunca são iguais. Falta se impor e mostrar que certas mudanças que agreguem saúde, conservação, soluções ambientais, podem ser lucrativas e não custosas aos empreendimentos e ações das empresas na sociedade.

Para tudo isto, falta que estas pessoas mantenham sua proximidade com a ciência, ou canais do saber que transbordem para a sociedade e cobrem do profissional sua constante atualização. As ciências biológicas mudam mais rápido que qualquer outra ciência hoje, e mesmo quem ensina no primeiro e segundo grau tinha que manter uma maior proximidade com seus avanços. Para mim, somente ao lado do legítimo saber e seus avanços é que poderá alicerçar as bases de uma profissão madura, que ainda não temos para nós, biólogos.