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O Corsário e a Ciência

Textos de divulgação científica e reflexões livres, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista: uma análise sociobiológica aplicada ao dia a dia, senão meras divagações sobre as políticas científicas do Brasil!

O Corsário e a Ciência

Textos de divulgação científica e reflexões livres, à luz da teoria evolutiva ultradarwinista: uma análise sociobiológica aplicada ao dia a dia, senão meras divagações sobre as políticas científicas do Brasil!

04.10.13

Ricos surdos, moucos. O modelo de polígonos de Thiessen aplicado à competição entre humanos.


Sérvio Pontes Ribeiro

Uma triste verdade.

 

A ditadura do ignorar a maioria, que é pobre e por isto não decide.

 

Sempre foi assim com os absolutamente pobres, e os absolutamente ricos estão tentando impor isto à classe média mundial, não brasileira, mundial.

 

Enquanto isto, a classe média altamente educada vai arrumando soluções e dando chances para um mundo melhor, com menos impactos e pegadas menores, mas de nada vai adiantar se os muito ricos não forem anulados.

 

Cada vez para mim está mais claro que a muita riqueza deveria ser considerada crime hediondo, assim como a muita governança...


 

É como o modelo de competição assimétrica entre plantas jovens que se mede com os polígonos de Tiessen. Simples: mede-se a distância de uma muda para todas as outras envolta dela; divide-se estas distâncias pela metade com uma reta na ortogonal. O espaço que resulta entorno da muda alvo é seu território. Claro, os polígonos de Thiessen são usados em diversas áreas, inclusive na geopolítica intermunicipal, mas sem dúvida reflete capacidade competitiva de cada unidade frente à outra.

 

 

Agora, quando aplicado às plantas na ecologia, eles definem a vantagem assimétrica de quem cresce mais rápido. Sabemos porém, que crescer rápido implica em investir menos em defesas contra inimigos naturais, como insetos, e correr portanto mais riscos. Assim, se não há inimigos, invariavelmente as rápidas ganham.

 

E se então trocássemos as plantas por clãs humanos? Aí a coisa fica preta. Primeiro, não crescemos vegetativamente, e não interagimos só dentro do nosso “quadrado”. Assim, quem cresce mais mobiliza para além de suas fronteiras recursos que sequestra para dentro das fronteiras. Assim, o começo mais rápido sim, gerará vantagem, mas a assimetria será extremamente desproporcional. Quando uma planta cresce muito mais rápido ela de certa forma “engole” quem está à sua volta.

 

Se nós humanos, por algum motivo político, ganhamos assimetria competitiva, avançamos para além das fronteiras e criamos redes interativas com outros “vantajosos” mais distantes. Esta rede de, vamos chamá-los alegoricamente de “ricos”, estrutura-se para usurpar os recursos dos polígonos pequenos entre eles, absorvendo todo seu recurso, e devolvendo gradualmente, em troca de serviços ou proteção. Lembra do risco de inimigos naturais? Bem, agora existe a posse dos polígonos menores, que vamos alegoricamente chamar de “pobres”, para enfrentarem os inimigos “para nós em troca do recurso deles que usurpamos”, pensam os “ricos”.

 

Ou seja, nossa espécie não sabe jogar por regras colaborativas. Para que estas regras prevaleçam, é necessário que “muito rico” ou “muito poder” não existam, senão terminarão a maioria muito pobre e dominada, nossa situação atual.

 

Claro, queridos mascarados e não mascarados, não há polígono que não possa ser invadido ou detonado de uma forma ou de outra. Basta ousar enfrentar as represálias, e vencer.